Thursday, March 10, 2005

O limite do desejo

"Um imperador que era conhecido pela sua arrogância e pelo fato de só fazer o bem quando isso trazia bons dividendos políticos, resolveu dar uma volta pela capital do reino. - Vamos mostrar ao povo que sou um homem bom - disse aos nobres que o acompanhavam.

Caminharam por alguma ruas da cidade, seguidos pela multidão que sempre se juntava ao redor da comitiva, até que encontraram um mendigo. O que você precisa, pobre homem? Perguntou o imperador. O mendigo riu: Vossa alteza me faz essa pergunta como se pudesse satisfazer qualquer coisa! Escutou-se um murmúrio na multidão; aquele homem vestido de andrajos e com uma bolsa vazia ao lado, duvidara da capacidade de alguém tão poderoso! Irritado o imperador repetiu: O que você quer? Claro que eu posso satisfazer qualquer desejo seu, já que não deve Ter sido um homem muito ambicioso nessa vida! Pense duas vezes antes de me perguntar isso - insistiu o mendigo. O soberano agora mais irritado do que nunca , fez a pergunta mais uma vez.

Na verdade, o meu desejo é bem simples. Está vendo essa bolsa vazia que carrego comigo? Pois gostaria que colocasse alguma coisa aí dentro. Claro - disse o soberano. E virando para seu conselheiro, pediu para que enchesse a pequena bolsa de moedas. Escutou-se de novo o murmúrio da multidão, louvando a Deus por Ter colocado um homem tão generoso no comando do país. O conselheiro pegou o dinheiro que tinha consigo e colocou na pequena bolsa, mas ela parecia continuar vazia. Surpreso, o imperador pediu ajuda aos nobres que o acompanhavam, mas, mesmo depois de toda a comitiva ter esvaziado seus bolsos e sacolas, a bolsa não dava sinal de encher.

A história correu pelas praças e ruas das redondezas, e, a multidão aumentou cada vez mais. Agora era o prestígio do imperador que estava em jogo, e ele se virou para o ministro: Se precisar colocar todo o meu reino aí dentro, farei isso, mas não posso ser humilhado por um mendigo. O ministro foi até o palácio, trouxe diamantes, pérolas e esmeraldas, mas a bolsa não enchia. Tudo que era ali colocado parecia desaparecer num passe de mágica. A manhã se fez tarde, e a noite começou a cair. Metade do tesouro do governo já havia sido colocado na bolsa do mendigo, e nada. A essa altura, praticamente toda a cidade acompanhava a cena, mas não se escutava um só ruído; todos pareciam hipnotizados com o que estava acontecendo.

Finalmente quando a primeira estrela apareceu , o soberano ajoelhou-se diante do mendigo e admitiu sua derrota. Vim aqui para tentar convencer os outros que sou um homem generoso, e terminei convencido de que não tenho nenhum poder. Peço perdão pela minha arrogância, mas também peço que me abençoes, porque és um homem santo, capaz de milagres. O mendigo colocou as mãos na cabeça homem ajoelhado e o abençoou.

Basta um grão de amor para que o coração fique repleto; entretanto, nem toda a riqueza do mundo pode encher de alegria um coração com fome de amor. O imperador levantou-se e, antes de retornar ao palácio, perguntou ao mendigo: É esse o segredo de sua bolsa? Não. Minha bolsa é feita de desejo humano; por mais que tenha, sempre quer Ter mais e por isso permanece vazia."

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