Tuesday, May 31, 2005

A Rosa

Era uma manhã de um dia de semana, desses de céu aberto e muito sol. Um trabalhador dirigiu-se para seu local de trabalho. Passando em frente a um templo religioso, decidiu entrar. Era uma sala muito ampla e ele sentou num dos últimos lugares, bem ao fundo.

Ali se pôs a fazer a sua oração cheia de vida, dialogando com Jesus. Ouviu, então, em meio ao silêncio, a voz de alguém, cuja presença não tinha percebido: venha aqui. Venha ver a rosa. Ele olhou para os lados, para frente, e viu uma pessoa sentada num dos primeiros lugares.

Levantou-se e a voz falou outra vez: Venha ver a rosa. Embora sem entender, ele se dirigiu até a frente e percebeu que sobre a mesa havia realmente um vaso, no qual estava uma linda rosa. Parou e começou a observar o homem maltrapilho que, vendo-o hesitante, insistiu: venha ver a rosa. Sim, estou vendo a rosa, respondeu. Por sinal, muito bonita.

Mas o homem não se conformou e tornou a dizer: Não, sente-se aqui ao meu lado e veja a rosa. Diante da insistência, o trabalhador ficou um tanto perturbado. Quem seria aquele homem maltrapilho? O que desejaria com ele com aquele convite? Seria sensato sentar-se ali, ao lado dele? Finalmente, venceu as próprias resistências, e se sentou ao lado do homem. Veja agora a rosa, falou feliz o maltrapilho.

De facto, era um espetáculo todo diferente. Exatamente daquele lugar onde se sentara, daquele ângulo, podia ver a rosa colocada sobre um vaso de cristal, num colorido de arco-íris. Dali podia-se perceber um raio de luz do sol que vinha de uma das janelas e se refletia naquele vaso de cristal, decompondo a luz e projetando um colorido especial sobre a rosa, dando-lhe efeitos visuais de um arco-íris.

E o trabalhador, extasiado, exclamou: é a primeira vez que vejo uma rosa em cores de arco-íris. Mas, se eu não tivesse me sentado onde estou, se não tivesse tido a coragem de me deslocar de onde estava, de romper preconceitos, jamais teria conseguido ver a rosa, num espetáculo tão maravilhoso.

É preciso saber olhar o outro de um prisma diferente do nosso. O amor assume coloridos diversos, se tivermos coragem de nos deslocar de nosso comodismo, de romper com preconceitos, para ver a pessoa do outro de modo diferente e novo. Há uma rosa escondida em toda pessoa que não estamos sendo capazes de enxergar. Há necessidade de sairmos de nós mesmos, de nos dispormos a sentar em um lugar incômodo, de deixar de lado as prevenções, para poder ver as rosas do outro, de um ângulo diferente. Realizemos esta experiência, hoje, em nossas vidas. Procuremos aceitar que podemos ver um colorido diferente onde, para nós, nada havia antes, ou talvez, de acordo com nosso modo de pensar, jamais poderiam ser vistas outras cores.

Wednesday, May 25, 2005

MINUTO DE SILENCIO

Se você ainda está chocado com as imagens do 11 de Setembro aproveite para fazer um minuto de silêncio em homenagem aos 10.000(?) americanos, a maioria civis inocentes, mortos covardemente por terroristas que ainda não se sabe quem são.

Já que você está em silêncio, fique quieto mais treze minutos em homenagem aos 130.000 civis iraquianos mortos em 1991 por ordem do Bush Pai.
Aproveite para lembrar que naquela ocasião os americanos também fizeram festa, como os palestinos fizeram.

Emende mais 20 minutos pelos 200.000 iranianos mortos pelos iraquianos com armas e dinheiro fornecidos a Sadam Hussein (ainda novinho na época) pelos mesmos americanos que mais tarde virariam sua artilharia contra ele.

Mais quinze minutos pelos russos e 150.000 afeganistãos mortos pelo Taliban, também com armas e dinheiro americano.

Mais dez minutos pelos 100.000 japoneses mortos direta indiretamente em Hiroshima e Nagasaki, também por accão direta da águia.

Você já está em silêncio uma hora (um minuto pelos americanos e 59 por suas vítimas).
Se você ainda está perplexo fique mais uma hora em silêncio pelos mortos na guerra do Vietnam, da qual os americanos não gostam de ser lembrados.

Tomara (embora os índices de belicosidade dos americanos indiquem o contrário), os americanos comecem a entender que eles também são vulneráveis e que as tragédias que eles provocam são tão bárbaras e covardes como as dos outros.
Os mortos dos outros povos doem tanto quanto os deles

Tuesday, May 24, 2005

A Liberdade

E um orador disse:
- Fala-nos da Liberdade.

E ele respondeu:
- Às portas da cidade, e nos vossos lares, dei convosco prostrados em adoração da vossa própria liberdade,

Como escravos que se humilham diante dum tirano e que o glorificam enquanto ele os destrói.

Sim, no bosque do templo e na sombra da cidadela vi os mais livres que vós usarem a sua liberdade como jugo e como algemas.

Meu coração sangrou dentro de mim; pois não sabereis ser livres senão quando o próprio desejo de chegar à liberdade se tornar para vós um arnês e quando deixardes de falar da liberdade como de um fim e de uma conclusão.

Sereis livres de facto não quando os vossos dias decorrerem sem cuidados e as vossas noites sem desejos e sem fadigas, mas antes quando todas essas coisas cercarem a vossa vida e vos elevardes acima delas, nus e libertos.

Mas como podereis estar acima de vossos dias e de vossas noites, se não quebrardes as cadeias que na alvorada do vosso uso da razão fizestes pesar sobre a vossa hora do meio dia? De facto, o que chamais liberdade é a mais forte dessas cadeias, ainda que os seus anéis vos deslumbrem brilhando ao sol. E tudo o que quereis afastar para ficardes livres, que é, senão fragmentos de vós mesmos?

Se é uma lei injusta que quereis abolir, tal lei foi escrita pela vossa mão na própria testa. Não podereis apagá-la queimando os vossos livros de leis nem lavando as frontes dos vossos juízes, ainda que entorneis todo o mar em cima deles.

E se é um tirano quem quereis destronar, vede, antes de tudo, se o trono dele em vós está bem destruído. Porque, como pode um déspota dominar os livres e altivos, se não houver tirania na liberdade desses e vergonha na sua própria altivez?

E se é a inquietação que quereis expulsar, tal inquietação foi escolhida por vós e não tanto imposta de fora.

E se quereis dissipar o medo, a sede desse medo é o vosso coração e não a mão que vos assusta.

De fato, todas as coisas se movem no mais íntimo do vosso ser, num constante semi-abraço, tanto as desejadas quanto as temidas, as repugnantes e as tentadoras, aquelas que buscais como aquelas de que fugis.

Tais coisas movem-se dentro de vós como luzes e sombras, em pares estreitamente unidos. E quando a sombra se debilita e desaparece, a luz que resta torna-se sombra de uma nova luz.

E assim a vossa liberdade, desembaraçada de estorvos, torna-se ela própria embaraço de uma liberdade maior.

Friday, May 20, 2005

O QUADRO

Um homem havia pintado um lindo quadro.
No dia de apresentá-lo ao público, convidou todo mundo para vê-lo.
Compareceram as autoridades do local, fotógrafos, jornalistas, e muita gente, pois o pintor era muito famoso e um grande artista.

Chegado o momento, tirou-se o pano que velava o quadro.
Houve caloroso aplauso.
Era uma impressionante figura de Jesus batendo suavemente à porta de uma casa.
O Cristo parecia vivo. Com o ouvido junto à porta, Ele parecia querer ouvir se lá dentro alguém respondia.
Houve discursos e elogios. Todos admiravam aquela obra de arte.

Um observador curioso porém, achou uma falha no quadro:
A porta não tinha fechadura. E foi perguntar ao artista:
- Sua porta não tem fechadura! Como se fará para abri-la?
- É assim mesmo - respondeu o pintor
- Esta é a porta do coração humano.
- Só se abre do lado de dentro.

Wednesday, May 18, 2005

A LOJA DE DEUS

Entrei e vi um anjo no balcão. Maravilhado, eu lhe disse:
"Santo Anjo do Senhor, o que vendes?

Ele me respondeu: "Todos os dons de Deus".
Perguntei: "Custa muito?"
Respondeu-me: "Não, tudo é de graça".

Contemplei a loja e vi jarros com compaixão, vidros com fé,
Pacotes com esperança, caixinhas com salvação,
Potes com sabedoria...

Tomei coragem e pedi:
"Por favor, Santo Anjo, quero muito amor,
Todo o perdão, um vidro de fé, bastante felicidade
E salvação eterna para mim e minha família também.

Então o Anjo do Senhor preparou um pequeno embrulho,
Tão pequeno que cabia na palma da minha mão.
Maravilhado mais uma vez, eu lhe disse:
"É possível tudo estar aqui?"

O Anjo me respondeu sorrindo:
"Meu querido irmão, na Loja de Deus não vendemos frutos.
Apenas sementes".

Monday, May 16, 2005

Fé, Esperança e Amor

Um dia, a FÉ, a ESPERANÇA e o AMOR saíram pelo mundo para ajudar os aflitos. Quem das três, seria capaz de realizar o melhor trabalho para a glória de Deus?

A beira da estrada da vida encontraram um homem pobre que sofria com uma doença que o deixou paralítico desde nascença. Mendigava às almas caridosas a fim de sobreviver. Diante daquela situação, a FÉ tomou a frente da Esperança e do Amor para resolver o caso. Disse:

Esperem aqui, vou realizar minha obra na vida daquele infeliz e tirá-lo daquela situação.

A FÉ trouxe ao homem a palavra de Deus e assim ela foi reproduzida no coração dele. Imediatamente aquele homem se rebelou contra aquela situação e usou a FÉ que tinha no coração para determinar sua cura e, no momento em que orava, seus ossos e juntos tornaram-se firmes.

Finalmente ficou de pé e saltou de alegria. Não precisava ficar mais a beira da estrada para mendigar e muito menos padecer todas as dores de antes.
Passadas algumas horas, o homem não tinha para onde ir. Nem casa, nem profissão, que lhe desse condições de se estabelecer na vida.

Neste momento a ESPERANÇA sentiu que era chegada a sua vez de trabalhar. Ela o levou para o alto da montanha e fez com que ele visse os férteis campos da terra. Desta maneira, foi mudando o seu coração e o homem entendeu que podia prosperar.

Movido pela força da ESPERANÇA, ele se pôs a caminho. Logo conseguiu um emprego, em uma fazenda próxima, e rapidamente aprendeu a cultivar a terra. Em pouco tempo, tinha juntado o suficiente para comprar seu próprio campo.

Com FÉ e ESPERANÇA, renovava suas forças a cada dia, e em poucos anos expandiu grandemente seus negócios. Suas colheitas eram exportadas em navio, alcançando portos de todo o mundo.

Ele tinha muitos empregados e se tornou o homem mais rico da terra. A FÉ e a ESPERANÇA estavam satisfeitas com o maravilhoso trabalho que haviam produzido na vida daquele homem.

Então disseram ao Amor:
"Não te preocupes em realizar tua obra. Vês, que juntas, mudamos completamente a vida deste homem, fazendo-o forte e próspero".

Assim, o Amor partiu em busca de alguém a quem pudesse ajudar. O império daquele homem se expandia por todo o lado, de forma que eram tantas as casas que muitas delas nem sequer conhecia.

Viajou o mundo inteiro e nada mais havia que o surpreendesse. Mas com o passar do tempo o homem foi ficando triste e enfastiado.
"Tenho tudo que um homem possa desejar" dizia ele, "mas ainda me sinto vazio".

A FÉ e a ESPERANÇA conversavam o que podiam fazer para torná-lo forte como antes? Ele agora não precisava do milagre da cura nem da Esperança para crer no sucesso do seu futuro, pois era muito rico.
Então as duas foram correndo em busca do AMOR para lhe pedir ajuda.
O AMOR voltou com elas e realizou sua obra no coração daquele homem.

Ao sentir AMOR, ele passou a entender Deus e a sua mais extraordinária obra. Surgiu a necessidade de ajudar outros com os mesmos problemas que os seus. A FÉ e a ESPERANÇA entenderam que embora suas obras tivessem sido de grandeza extraordinária... com o passar do tempo, sem AMOR, tudo perdia o sentido.

A FÉ é rápida.... a ESPERANÇA permanece por mais tempo, mas o
AMOR...NÃO ACABA NUNCA !!!

Thursday, May 12, 2005

A última casa

Um velho carpinteiro que construía casas estava pronto para se reformar. Informou o chefe do seu desejo de sair da indústria de construção e passar mais tempo com a sua família. Ainda disse que sentiria falta do salário, mas realmente queria aposentar-se.

A empresa não seria muito afectada pela saída do carpinteiro, mas o chefe estava triste por ver um bom funcionário partir e pediu ao carpinteiro para trabalhar em mais um projecto como um favor.

O carpinteiro não gostou mas acabou concordando. E foi fácil ver que ele não estava entusiasmado com a ideia.

Assim prosseguiu fazendo um trabalho de segunda qualidade e usando materiais inadequados. Foi uma maneira negativa dele terminar a sua carreira.

Quando o carpinteiro acabou, o seu chefe veio fazer a inspecção da casa construída. Deu a chave ao carpinteiro e disse: "Essa é a sua casa. Ela é o meu presente para si."

O carpinteiro ficou muito surpreso. Que pena! Se ele soubesse que estava construindo a sua própria casa, teria feito tudo diferente.

O mesmo acontece connosco. Nós construímos a nossa vida, um dia de cada vez e muitas vezes fazendo menos que o melhor possível na construção.

Depois, com surpresa, descobrimos que precisamos viver na casa que construímos. Se pudéssemos fazer tudo de novo, faríamos tudo diferente. Mas não podemos voltar atrás.

Você é o carpinteiro. Todo dia martela pregos, ajusta tábuas e constrói paredes. Já alguém disse que "A vida é um projecto que você mesmo constrói". As suas atitudes e escolhas de hoje estão a construir a "casa" em que vai morar amanhã.

Construa com sabedoria! E lembre-se:Trabalhe como se não precisasse do dinheiro.Ame como se nunca se tivesse magoado antes.Dance como se ninguém estivesse a olhar.

Tuesday, May 10, 2005

O Mestre e o Samurai

Certo dia, um Samurai, que era um guerreiro muito orgulhoso, veio ver um Mestre Zen.

Embora fosse muito famoso, ao olhar o Mestre, a sua beleza e o encanto daquele momento, o samurai sentiu-se repentinamente inferior.

Ele então disse ao Mestre:
- "Por que me estou a sentir inferior? Apenas um momento atrás, tudo estava bem. Quando aqui entrei, subitamente senti-me inferior e jamais me sentira assim antes. Encarei a morte muitas vezes, mas nunca experimentei medo algum.Por que me estou a sentir assustado agora?"

O Mestre falou:
- "Espere. Quando todos tiverem partido, responderei."

Durante todo o dia, pessoas chegavam para ver o Mestre e o samurai estava a ficar mais e mais cansado de esperar.

Ao anoitecer, quando o quarto estava vazio, o samurai perguntou novamente:
- "Agora você pode-me responder porque me sinto inferior?"

O Mestre levou-o para fora. Era uma noite de lua cheia e a lua estava justamente surgindo no horizonte. Ele disse:
- "Olhe para estas duas árvores: a árvore alta e a árvore pequena ao seu lado.Ambas estiveram juntas ao lado de minha janela durante anos e nunca houve problema algum. A árvore menor jamais disse à maior:"Por que me sinto inferior diante de você?"Esta árvore é pequena e aquela é grande - este é o facto e nunca ouvi sussurro algum sobre isso."

O samurai então argumentou:
- "Isto dá-se porque elas não se podem comparar."
E o Mestre replicou:
- "Então não precisa perguntar-me. Você sabe a resposta. Quando você não compara, toda a inferioridade e superioridade desaparecem. Você é o que é e simplesmente existe. Um pequeno arbusto ou uma grande e alta árvore, não importa, você é você mesmo. Uma folhinha da relva é tão necessária quanto a maior das estrelas. O canto de um pássaro é tão necessário quanto qualquer Buda, pois o mundo será menos rico se este canto desaparecer. Olhe simplesmente à sua volta. Tudo é necessário e tudo se encaixa. É uma unidade orgânica: ninguém é mais alto ou mais baixo, ninguém é superior ou inferior. Cada um é incomparavelmente único. Você é necessário e basta. Na natureza, o tamanho não importa.Tudo é expressão igual de vida."

Monday, May 09, 2005

Homem X Mundo

Um cientista vivia preocupado com os problemas do mundo e estava resolvido a encontrar meios de minorá-los.
Passava dias em seu laboratório em busca derespostas para suas dúvidas.

Certo dia, seu filho de sete anos invadiu o seu santuário decidido a ajudá-lo a trabalhar. O cientista nervoso pela interrupção, tentou que o filho fosse brincar em outro lugar. Vendo que seria impossível demovê-lo, o pai procurou algo que pudesse ser oferecido ao filho com o objetivo de distrair sua atenção.

De repente deparou-se com o mapa do mundo, o que procurava! Com o auxílio de uma tesoura, recortou o mapa em vários pedaços e, junto com um rolo de fita adesiva, entregou ao filho dizendo:
"Vou lhe dar o mundo para consertar. Aqui está o mundo todo quebrado. Veja se consegue consertá-lo bem direitinho! Faça tudo sozinho."

Calculou que a criança levaria dias para recompor o mapa. Passadas algumas horas, ouviu a voz do filho que o chamava calmamente.
"Pai, pai, já fiz tudo. Consegui terminar tudinho!"

A princípio o pai não deu crédito às palavras do filho. Seria impossível na sua idade ter conseguido recompor um mapa que jamais havia visto. Relutante, o cientista levantou os olhos de suas anotações, certo de que veria um trabalho digno de uma criança. Para sua surpresa, o mapa estava completo. Todos os pedaços haviam sido colocados nos devidos lugares. Como seria possível? Como o menino havia sido capaz?

"Você não sabia como era o mundo, meu filho, como conseguiu?"
"Pai, eu não sabia como era o mundo, mas quando você tirou o papel da revista para recortar, eu vi que do outro lado havia a figura de um homem. Quando você me deu o mundo para consertar, eu tentei mas não consegui. Foi aí que me lembrei do homem, virei os recortes e comecei a consertar o homem que eu sabia como era. Quando consegui consertar o homem, virei a folha e descobri que havia consertado o Mundo."

Thursday, May 05, 2005

O AUTO-CONHECIMENTO

Então, um homem dirigiu-se a ele:

Fala-nos do conhecimento de si.
E ele respondeu:

Os vossos corações conhecem, no silêncio, os segredos dos dias e das noites.
Mas os vossos ouvidos têm sede de ouvir, no final, o eco do saber dos vossos corações.

Gostaríeis de saber pelo verbo o que sempre soubestes pelo pensamento.

Gostaríeis de sentir com os dedos o corpo nu dos vossos sonhos.
E está certo que assim o queirais.

A fonte oculta da vossa alma deve necessariamente jorrar e correr, murmurando, até o mar;
e o tesouro das vossas profundezas infinitas deve revelar-se aos vossos olhos.

Mas que não haja balança que pese o vosso tesouro desconhecido;
e não procureis explorar os abismos do vosso saber com a vara ou com a sonda, pois o eu é um mar sem limites e sem medida.

Não digais: «Encontrei a verdade»,
mas antes: «Encontrei uma verdade.»
Não digais: «Encontrei o caminho da alma.»
Mas antes: «Cruzei-me com a alma no meu percurso.»
Pois a alma caminha por todas as vias.
A alma não anda sobre uma linha nem se alonga como uma vara.
A alma abre-se a si mesma, como se abre um lótus de incontáveis pétalas.

Kahlil Gibran

Wednesday, May 04, 2005

Sonhos

Um mendigo sentava-se na calçada, num lugar por onde passavam muitas pessoas e ao lado colocava uma placa com os seguintes dizeres:

"Vejam como sou feliz! Sou um homem próspero, sei que sou bonito, sou muito importante, tenho uma bela residência, vivo confortavelmente, sou um sucesso, sou saudável e bem humorado". Alguns passantes olhavam intrigados, outros o achavam doido e outros até lhe davam dinheiro.

Todos os dias, antes de dormir, ele contava o dinheiro e notava que a cada dia a quantia era maior. Numa bela manhã, um importante e arrojado executivo, que já o observava há algum tempo, aproximou-se e disse-lhe:

"Você é muito criativo! Não gostaria de colaborar numa campanha da empresa?"
"Vamos lá. Só tenho a ganhar!", respondeu o mendigo."

Após um belo banho e com roupas novas, foi até à empresa. Daí para frente a sua vida foi uma sequência de sucessos e a certo tempo ele tornou-se um dos sócios maioritários. Numa entrevista colectiva à imprensa, ele esclareceu como conseguiu deixar a mendicidade e chegar a tão alta posição.

Contou ele:- Bem, houve uma época em que eu costumava sentar-me nas calçadas com uma placa ao lado, que dizia:

"Sou um nada neste mundo! Ninguém me ajuda! Não tenho onde morar! Sou um homem fracassado e maltratado pela vida! Não consigo um mísero emprego que me renda alguns trocos! Mal consigo sobreviver!"

As coisas iam de mal a pior quando, certa noite, achei um livro e nele um trecho que dizia:

"Tudo que fala a seu respeito vai se reforçando. Por pior que esteja a sua vida, diga que tudo vai bem. Por muito que não goste da sua aparência, afirme-se bonito. Por mais pobre que seja, diga a si mesmo e aos outros que é próspero."

Aquilo me tocou profundamente e, como nada tinha a perder, decidi trocar os dizeres da placa para:

"Vejam como sou feliz! Sou um homem próspero, sei que sou bonito, sou muito importante, tenho uma bela residência, vivo confortavelmente, sou um sucesso, sou saudável e bem humorado."

E a partir desse dia tudo começou a mudar, a vida trouxe-me a pessoa certa para tudo que eu precisava, até que cheguei onde estou hoje. Tive apenas que entender o Poder das Palavras. O Universo sempre apoia tudo o que dissermos, escrevermos ou pensarmos a nosso respeito e isso acabará manifestando-se na nossa vida como realidade.

Enquanto afirmarmos que tudo vai mal, que nossa aparência é horrível, que nossos bens materiais são ínfimos, a tendência é que as coisas fiquem piores ainda, pois o Universo as reforçará. Ele materializa em nossa vida todas as nossas crenças.

Uma repórter, ironicamente, questionou: - O senhor está a querer dizer que algumas palavras escritas numa simples placa modificaram a sua vida?

Respondeu o homem, cheio de bom humor:"Claro que não, minha ingénua amiga! Primeiro eu tive que acreditar nelas!"

Autor Desconhecido

Monday, May 02, 2005

Musical Mamma Mia

Sexta fui ver o musical Mamma Mia, que recomendo vivamente a quem ainda não viu, eu gostei especialmente pois cresci a ouvir as músicas dos Abba, mas o que gostei mesmo foi ver uma sala cheia de gente de todas as idades vibrando a cantar, dançar e a bater palmas.

Aqui fica assim a música que abre e fecha o musical da qual eu gosto especialmente:

«I have a dream, a song to sing
To help me cope with anything
If you see the wonder, of a fairytale
You can take the future, even if you fail
I believe in angels
Something good in everything I see
I believe in angels
When I know the time is right for me
I cross the street, I have a dream
I have a dream, a fantasy
To help me trough reality
And my destination makes it worth the while
Pushing through the darkness, still another mile…»