Thursday, June 30, 2005

" A harpa mágica "

Em um venerado mosteiro conservava-se uma harpa mágica, da qual, segundo os antigos oráculos, brotaria uma melodia maravilhosa no dia em que fosse dedilhada por um artista capaz de tocá-la devidamente.

Atraídos pelo oráculo e com a esperança de se tornar famosos, muitos iam ao santuário, garantiam que eram grandes harpistas e pediam para que lhes deixassem tentar tocar a harpa mágica.Mas todos fracassavam, do instrumento só saiam os mais desagradáveis ruídos.

Tanto os monges que viviam no mosteiro como todo o povo do lugar já haviam perdido as esperanças de que pudesse aparecer alguémcapaz de tocar aquele instrumento misterioso quando, um dia, apresentou-se ali um humilde homem. Era um desconhecido e ninguém imaginava que chegaria a conseguir aquilo que tantos músicos célebres haviam fracassado.

Quando o homem começou a dedilhar o instrumento com delicadeza, como se estivesse acariciando as cordas com os dedos, tinha-se asensação de que a harpa e o harpista haviam sido fundidos em um único ser. Durante bastante tempo, que a todos lhes pareceu como um segundo, ouviram uma melodia com a qual sequer poderiam ter sonhado.

Por fim, o homem acabou de tocar e devolveu com grande reverência a harpa aos monges, estes maravilhados, perguntaram-lhe como conseguira tocar aquela música com um instrumento do qual os mais famosos músicos não haviam sido capazes de tirar sequer uma nota afinada.

Então o homem respondeu com grande humildade: todos os que me precederam na tentativa chegaram com o propósito de usar a harpa para se envaidecer. Eu, apenas me submeti inteiramente a ela e emprestei-lhe meus dedos, para que não fosse eu a lhe impor minha música, mas que ela pudesse cantar tudo o que leva dentro de si. Então, a madeira da harpa, que havia sido uma árvore centenária vibrou para cantar o ritmo do sol e da lua, os resplendores da aurora e do ocaso, a força do vento, o rumor da chuva, o silêncio das nevadas, o calor do verão e o frio do inverno, a ilusão de tantas primaveras e a tristeza do outono; em suma a história da própria natureza.

É um instrumento maravilhoso que não pode ser tocado por aqueles que estão cheios de si mesmos, é preciso esvaziar-se diante da harpa para deixar que ela mesma toque a sua melodia. Às vezes em nossas vidas também precisamos esvaziar nossa mente e nossas atitudes e deixar que ela tome seu rumo, conforme a vontade de Deus...

Tuesday, June 28, 2005

Agenda da Felicidade

O sorriso... é o cartão de visita das pessoas saudáveis. Distribua-o gentilmente.
O diálogo... é a ponte que liga as duas margens, do eu à do tu. Transmite-o bastante.
O amor... é a melhor música na partitura da vida. Sem ele, você será um(a) eterno(a) desafinado(a).
A bondade... é a flor mais atraente do jardim de um coração bem cultivado. Plante estas flores.
A alegria... é o perfume gratificante, fruto do dever cumprido. Esbanje-o, o mundo precisa dele.
A paz da consciência... é o melhor travesseiro para o sono da tranqüilidade.Viva em paz consigo mesmo.
A fé... é a bússola certa para os navios errantes, incertos, buscando as praias da eternidade. Utilize-a sempre.
A esperança...é o vento bom enfunando as velas do nosso barco. Chame-o para dentro do seu quotidiano.
Acreditamos que com essa agenda... a felicidade pode ser a companheira e aliada para rumar o barco da vida.

Monday, June 20, 2005

Caminhada

Se eu puder caminhar observando a amplidão do horizonte...
Não terei pressa, andarei mesmo assim com passos largos...
Terei à minha frente o infinito e poderei construir minha passagem...
Se eu vejo a amplidão, me vejo sem limites...
Não existirá em meu trajeto obstáculos intransponíveis...
Mas preciso da amplidão como espelho...

Na verdade não quero o fim da caminhada, não quero um objetivo à minha frente como uma marca de chegada...
Quero a trilha e dela sentir sede de conquistá-la para todo o sempre...
Se levantar os olhos e ver esta amplidão...
Estarei trilhando...
Passo a passo...

Estarei a caminho...
E com um horizonte tão imenso à minha frente, não terei retornos, não vou questionar o que passou...
Apenas irei...
Se eu olhar para o lado e você estiver lá...
Estarei sorrindo, e certa de que emoções vividas não são vãs...

Te oferecerei a minha mão e poderemos ir juntos...
Passo a passo...
Em frente, com o mundo todo se abrindo a cada movimento e sem nunca querer chegar ao fim....
Você não é perfeito...
Não gosto de perfeição, mas o que existe em você, o que sinto...O que "vejo" faz com que eu deseje olhar a amplidão, e queira caminhar em sua direcção..."

Wednesday, June 15, 2005

O ferreiro

Era uma vez um ferreiro que, após uma juventude cheia de excessos, resolveu entregar sua alma a Deus. Durante muitos anos trabalhou com afinidade, praticou a caridade, mas, apesar de toda sua dedicação, nada parecia dar certo na sua vida. Muito pelo contrário: seus problemas e dívidas acumulavam-se cada vez mais.

Uma bela tarde, um amigo que o visitara -- e que se compadecia de sua situação difícil -- comentou: "É realmente estranho que, justamente depois que você resolveu se tornar um homem temente a Deus, sua vida começou a piorar. Eu não desejo enfraquecer sua fé, mas apesar de toda a sua crença no mundo espiritual, nada tem melhorado .

O ferreiro não respondeu imediatamente. Ele já havia pensado nisso muitas vezes, sem entender o que acontecia em sua vida.

Entretanto, como não queria deixar o amigo sem resposta, começou a falar e terminou encontrando a explicação que procurava. Eis o que disse o ferreiro: Eu recebo nesta oficina o aço ainda não trabalhado e preciso transformá-lo em espadas. Você sabe como isto é feito? Primeiro eu aqueço a chapa de aço num calor infernal, até que fique vermelha. Em seguida, sem qualquer piedade, eu pego o martelo mais pesado e aplico golpes até que a peça adquira a forma desejada. Logo, ela é mergulhada num balde de água fria e a oficina inteira se enche com o barulho do vapor, enquanto a peça estala e grita por causa da súbita mudança de temperatura. Tenho que repetir esse processo até conseguir a espada perfeita: uma vez apenas não é suficiente .

O ferreiro deu uma longa pausa, acendeu um cigarro e continuou: As vezes, o aço que chega até minhas mãos não consegue agüentar esse tratamento. O calor, as marteladas e a água fria terminam por enchê-lo de rachaduras. E eu sei que jamais se transformará numa boa lâmina de espada. Então, eu simplesmente o coloco no monte de ferro-velho que você viu na entrada de minha ferraria.

Mais uma pausa e o ferreiro concluiu: Sei que Deus está me colocando no fogo das aflições. Tenho aceito as marteladas que a vida me dá, e às vezes sinto-me tão frio e insensível como a água que faz sofrer o aço. Mas a única coisa que peço é: "Meu Deus, não desista, até que eu consiga tomar a forma que o Senhor espera de mim. Tente da maneira que achar melhor, pelo tempo que quiser -- mas jamais me coloque no monte de ferro-velho das almas"

Tuesday, June 07, 2005

Os Três Crivos

Certa vez, um homem esbaforido achegou-se ao grande filósofo e sussurrou-lhe aos ouvidos:

- Escuta, Sócrates... Na condição de teu amigo, tenho alguma coisa muito grave para dizer-te, em particular...
- Espera!... -ajuntou o sábio prudente. Já passaste o que vais me dizer pelos três crivos?
- Três crivos? -perguntou o visitante espantado.

- Sim, meu caro amigo, três crivos. Observemos se tua confidência passou por eles. O primeiro é o crivo da verdade. Guardas absoluta certeza, quanto àquilo que pretendes comunicar?
- Bem, - ponderou o interlocutor, - assegurar mesmo, não posso...Mas ouvi dizer e ...então...

- Exato. Decerto peneiraste o assunto pelo segundo crivo, o da bondade. Ainda que não seja real o que julga saber, será pelo menos bom o que me queres contar?
Hesitando, o homem replicou:
- Isso não... Muito pelo contrário...

-Ah! - tornou o sábio - então recorramos ao terceiro crivo, o da utilidade, e notemos o proveito do que tanto te aflige.
- Útil?!... aduziu o visitante ainda agitado. - Útil não é.

- Bem - rematou o filósofo num sorriso, - se o que tens a confiar não é verdadeiro, nem bom e nem útil, esqueçamos o problema e não te preocupes com ele, já que de nada valem casos sem edificação para nós!...

Aí está, meu amigo, a lição de Sócrates, em questão de maledicência...

Friday, June 03, 2005

Há um centro bem íntimo em todos nós,
onde a verdade habita plenamente...
E, "conhecer",consiste mais em abrir um caminho
por onde o esplendor aprisionado possa escapar,
do que em sair à procura de uma luz
que se supõe estar do lado de fora.

Thursday, June 02, 2005

A paz perfeita

Havia um rei que ofereceu um grande prémio ao artista que fosse capaz de captar numa pintura a paz perfeita. Foram muitos os artistas que tentaram.

O rei observou e admirou todas as pinturas, mas houve apenas duas de que ele realmente gostou e teve que escolher entre ambas.

A primeira era um lago muito tranquilo. Este lago era um espelho perfeito onde se refletiam umas plácidas montanhas que o rodeavam. Sobre elas encontrava-se um céu muito azul com tênue nuvens brancas. Todos os que olharam para esta pintura pensaram que ela refletia a paz perfeita.

A segunda pintura também tinha montanhas. Mas estas eram escabrosas e estavam despidas de vegetação. Sobre elas havia um céu tempestuoso do qual se precipitava um forte aguaceiro com faíscas e trovões. Montanha abaixo parecia retumbar uma espumosa torrente de água. Tudo isto se revelava nada pacífico. Mas, quando o rei observou mais atentamente, reparou que atrás da cascata havia um arbusto crescendo de uma fenda na rocha. Neste arbusto encontrava-se um ninho. Ali, no meio do ruído da violenta camada de água, estava um passarinho placidamente sentado no seu ninho.Paz perfeita.

Qual pensas que foi a pintura ganhadora? O rei escolheu a segunda. Sabes por quê? "Porque", explicou o rei: "paz não significa estar num lugar sem ruídos, sem problemas, sem trabalho árduo ou sem dor." "Paz significa que, apesar de se estar no meio de tudo isso, permanecemos calmos no nosso coração." "Este é o verdadeiro significado da paz"