Tuesday, April 13, 2010

A sexualidade humana III (continuação)

(...)

A construção da teia

Genericamente, a expressão da sexualidade, tem dois níveis:
O primeiro é a maneira instintiva, concentrada nos genitais com mais ou menos egoísmo. Fruto do trabalho dos servidores da “Sombra”, a maioria dos seres humanos passou a ser conduzida por uma libido fortíssima. Mas a frustração também passou a ser enorme, porque nunca conseguem satisfazer completamente o ímpeto sexual: depois do orgasmo tudo se perde. Então, novamente nasce o desejo e, depois num frémito, tudo se esvai de novo. E assim sucessivamente.

O segundo nível de expressão da sexualidade é a maneira consciente, vivida com amor e doação, como expressão da capacidade criadora por excelência, o que não quer dizer que os genitais não participem. O que agora se propõe aos amantes é que se reúnam com a Fonte, através de um período em estado meditativo e deixem fluir. O que surgir fará da fusão sexual algo bem abrangente e satisfatório, de uma feição nunca sonhada. Isto não significa, é claro, orgasmos contínuos, mas a fluência de uma energia constante de puro prazer, de onde está ausente a preocupação de atingir o clímax.

Neste caso, o processo inicia-se com a construção da teia entre os amantes, entretecida com os fios energéticos da confiança e do amor, e concretiza-se na descoberta do corpo do outro através do jogo e da brincadeira. O que interessa, realmente, é a atitude e a disponibilidade. Nada deve ser feito “porque tem de ser feito”, ou, porque é normal fazer desta e daquela maneira! Há que brincar, primeiro; o resto virá por acréscimo.

Caros amantes, dêem uma oportunidade para a alma se expressar. Não querendo chegar rapidamente à penetração, evitam a vivência da sexualidade da maneira lamentável como tem vindo a ser vivida. Cada casal descobrirá a sua própria forma de relação íntima, que desaguará numa emoção nunca sentida e num prazer orgástico jamais experimentado. Qualquer relação, para ser frutuosa, tem de contemplar a aceitação incondicional do outro. Se este ou aquele aspecto do comportamento de um dos amantes desagrada ao outro, ele deve expressá-lo amorosamente. Via de regra, porém, cada um deles quer que o outro adivinhe o que o faz sentir bem. Se continuarem condicionados pelas experiências vividas anteriormente, será muito difícil. Deixem de ter medo e brinquem. Porque este foi o aspecto em que a contaminação da “sombra” foi mais profunda, os factores bloqueadores são de vária ordem:

A relação com o corpo

Esta é a condição primeira. Como querem ter uma relação vibracionalmente elevada se mal consentem que vos toquem, se tudo vos faz confusão, se não conseguem, inclusive, aceitar completamente o vosso próprio corpo, se levam para a cama a negação contínua de vidas mal vividas? Quando pararão de se auto-rejeitar? Muitas mulheres, perante o anuncio de um medicamento para a celulite, lembram-se: “Que horror! Eu até tenho vergonha de me despir!” E nem percebem, que, dessa forma, assumem a rejeição. O corpo segue o coração espiritual: se não se amam, não podem irradiar amor. Esta questão, leva-me a fazer um comunicado aos homens e às mulheres, separadamente, embora deva ser lido por todos.

Para as mulheres

Minhas queridas, não se queixem do estado do mundo, porque ele corresponde à vossa situação. Queixam-se de ser mal amadas? Mas acaso se amam a vós próprias incondicionalmente? Queixam-se do controlo masculino? Mas acaso não se deixaram, e ainda deixam, controlar? Para muitíssimas mulheres estar bem com o corpo é uma condição essencial para poderem sentir-se bem e assim estarem “prontas para o amor”. Mas esse “sentir-se bem” não implica vassalagem aos ditames da beleza, preconizados pela sociedade como cordas apertadas ao pescoço. Um corpo belo não é, necessariamente, um corpo magro e esbelto; um corpo belo é aquele que respeita a sua estrutura básica (há mulheres que jamais serão magricelas, porque a sua estrutura óossea não o permite), animado por uma consciência irradiadora de amor e auto-respeito. Cabe a cada uma encontrar esse equilíbrio.

Sem o saberem, as mulheres transportam uma alma amargurada, fruto de milhares de anos de submissão, e nem se apercebem da origem desse sofrimento. Agora, porém, que todas as distorções, finalmente, estão a desagregar-se, muito desse “lixo” emergirá. Sugiro que aceitem os efeitos dessa purga; alvitro que chorem todas as dores; aconselho que gritem todas as frustrações. Depois, vejam-se como a encarnação do útero deste planeta e decidam que passarão a gerar apenas amor. Se todas as mulheres escolhessem esta via, rapidamente as sociedades denotariam mudanças profundas. Os homens poderão barafustar, mas, como sempre, não tardarão a alinhar ao vosso lado. Este é o vosso poder.

Vocês nunca serão suficientemente lindas e agradáveis, pois o tipo de beleza que procuram expressar é breve e carece da eterna juventude. Dessa forma, a “eterna juventude” não pode existir porque, ao respeitarem apenas os padrões físicos, esquecem-se que o corpo é expressão de algo mais elevado. Se, em vez de aceitarem incondicionalmente o arquétipo do vosso corpo, passarem a encará-lo como um ideal de beleza, não irão longe. Uma coisa deve ficar bem escrita no coração espiritual: os outros vão olhar-vos segundo a vibração que emanam. Se se sentirem inseguras e nunca suficientemente bonitas, a beleza fugirá. A beleza corresponde à harmonia da alma que anima a matéria. Não há cirurgia plástica que vos dê a luminosidade e a beleza do coração espiritual. Todos os aspectos, que afectam a relação com o corpo, podem ser mudados desde que se disponibilizem para a mudança interna. O que acontecer externamente será o reflexo da transformação interna. Neste mundo, presentemente, a cirurgia plástica é bastante abrangente e eficaz, mas não pode tocar na alma. Estou eu a dizer que não devem corrigir o que vos incomoda e desgosta? Não. Mas não se limitem ao físico. Deixem de tecer fantasias acerca do que é a nova sexualidade e assumam-se como mulheres no sentido mais amplo do termo. Que as vossas mãos expressem a realidade do coração espiritual, qualquer que ela seja. E acabem com a mania de quererem vaginas estreitas para terem mais prazer!

Muitas mulheres procuram o “príncipe encantado”, o realizador dos seus desejos, o adivinhador de todos os seus anseios, aquele que saberá o que fazer e onde tocar para as “fazer felizes”. Contudo, desconhecem a natureza do seu próprio corpo e não têm a mínima percepção de quanto ele é sagrado; se tivessem, tratavam-no melhor e não permitiriam que nada o adulterasse.

Para os homens

Cada vez é maior a quantidade de homens sujeitos aos ditames da beleza, com que a mulher tem vindo a ser manipulada. E cada vez é maior a tensão no sentido de se prepararem para corresponder às solicitações femininas. Agora, porém, há que avançar para outro patamar. Tudo o que eu disse às mulheres também se aplica aos representantes do dito sexo forte. Imensos rapazes e homens sofrem por acharem que o seu pénis não é suficientemente comprido ou encorpado, nem respeita as outras normas do “pénis ideal”. Mas para que querem vocês o melhor pénis do mundo se não expressarem a energia que devem expressar? Deixem de pensar que devem ter certos dotes físicos e apercebam-se até que ponto um olhar libidinoso, um comentário grosseiro, um piropo reles ou um reoaro desadequado pode ser ofensivo para uma mulher. Vocês vêm as mulheres como um escape para a libido arrebitada, mas desconhecem completamente a natureza da libido delas. Estão nas mãos da compulsão, procuram uma oportunidade para se “aliviarem”, mas desconhecem o vosso próprio corpo. Vivem concentrados no falo e nem sequer imaginam a grandiosa energia contida no resto do corpo. Ao realcionarem-se sexualmente, raros são os que não se deixam condicionar pelas experiências anteriores, quer elas derivem do contacto com muitas ou com poucas pessoas.

O desencontro entre homens e mulheres

A insegurança é o principal factor de inibição e de bloqueio para os amantes. Pensam: se não se faz “assim”, então como se faz? Mas não é uma questão de se fazer desta ou daquela maneira, pois todas as expressões são válidas. O problema é viverem condicionados pelo que já experimentaram, pelo que acham que deve ser, pelo medo de não estarem à altura e por julgarem que vão ser avaliados. Façam o favor de se distanciarem dessa postura. No “Éden”, homens e mulheres estavam sintonizados e a sua elevação permitia que a fusão sexual fosse um acto de complementaridade e de verdadeira união. Ambos operavam como geradores e distribuidores de Luz/Amor da Fonte. Essa vibração, está de regresso à Terra e não pode ser explicada, simplesmente descerá sobre os casais que se unirem segundo o novo padrão.

O coração espiritual é, sem dúvida, o lugar onde um deseja o outro. Mas, quando se decidem a realcionar-se dessa maneira, surgem imensos tabus e bloqueios. Então, há que soltar e brincar com o assunto, reconhecendo as eventuais dificuldades.

- Tudo isso faz sentido. Mas imagina um casal, disposto a aprender a fusão sexual, em que ele diz que ela tem uma vagina flácida e ela diz que ele tem um pénis fininho. Como ultrapassar o mal-estar e a insegurança provocada por esta situação?

- Deste um bom exemplo. Agudo, mas um bom exemplo. Quanto a isso, o melhor é que cada um deixe de pensar que a anatomia do outro é fundamental. Dialoguem sem sentimentos de culpa ou vergonha. Quando a Energia Matriz desce e o par se descobre, os detalhes anatómicos deixam de ter importância. Quem estiver nessa situação ambígua e insegura acabará por perceber que uma parte desse medos foi substituída pela alegria de uma verdadeira união. O objectivo é a entrega, em que cada um se esquece de si e recebe do outro. Só quando experimentarem perceberão o que estou a dizer.

Homens e mulheres lidam com o grande problema da demonstração. Anseiam ser os amantes ideais. Que forma mais primária e redutora de se relacionarem! Não percebem que cada corpo é um mundo a ser descoberto. Desconhecem que a palavra “amor” implica irradiação e não necessariamente acção. Não percebem que se trata de uma questão de aprendizagem a dois, de troca de energia através do corpo. Por isso, ninguém se deve relacionar com ninguém, sem confiança e entrega. A fusão energética entre dois seres não se limita a uma procura de prazer sexual, mas à abertura para uma nova dimensão da existência. É a descoberta e a integração de outra energia que engrandece e expande cada um dos seres em interacção.

E o que dizer dos encontros ocasionais, vazios de verdadeiro significado, que marcam a vida de tantos? Esses episódios existirão enquanto houver quem dependa do sexo, enquanto sofrem de auto-estima, enaquanto precisarem de antídotos contra a solidão e enquanto tenderem para os instintos mais básicos, característicos do mundo animal. Quando um ser humano está completo, a sua integridade permite-lhe relacionar-se com o seu corpo sem necessitar de outra pessoa para o efeito. Quando alguém precisa de outra pessoa para “fazer sexo”, a parceria é sempre objecto de utilização. Se a coisa continuar, ambos acabam por desembocar numa relação de dependência.

O celibato

Esta é outra via de aprendizagem, aconselhada por muitas religiões. Presentemente, porém, as coisas são muito diferentes dos tempos passados. Ao longo das eras esta via foi trilhada por muitos místicos, santos e outros, que alcançaram um determinado nível na espiritualidade. Assim foi porque, já nesse tempo, a sexualidade era vivida no seu aspecto mais primário, o que, tal como ainda hoje acontece, desvirtua completamente a pessoa. Assim, era comum acreditar-se que mais valia reprimi-la ou sublimá-la. Em certos casos pode ter sido uma escolha correcta, embora quem estava nessa situação não tivesse essa consciência. Esta via correspondeu a um tempo da Terra; agora, cada um tem a possibilidade de encontrar quem lhe corresponde. Não há nenhum ser humano a quem não corresponda um complemento. Todas as combinações são possíveis, porque a expressão da Energia Matriz tem a ver com o coração espiritual, algo que não tem género!

A sexualidade humana, por se encontrar por de mais pervertida, está a ser alvo de um trabalho inigualável. É tempo de homens e mulheres se reencontrarem consigo próprios para lhes ser devolvida a matriz original. A prática distorcida da sexualidade originou seres profundamente infelizes, insatisfeitos, pervertidos, incapazes de viverem a sua essência plenamente. A maioria das doenças deriva dessa situação."

...to be continued...

0 Comments:

Post a Comment

<< Home