Monday, June 14, 2010

Em homenagem aos artistas

Em especial neste momento a dois, pois souberam perserverar na sua integridade e amor à ARTE, reconhecimento da responsabilidade do artista e recusando sempre o poder do metal: Anna Mascolo e Filipe Mendes.


Os textos são excertos, que há muito queria copiar mas só hoje tomei esse vagar, expostos no Estudio Escola Anna Mascolo:


"O Artista

Simultaneamente criatura e criador do seu meio - o artista é, em verdade, influente nele. De aí que ao mesmo tempo seja temido, adulado, combatido, odiado, amado.
De aí que a sua liberdade, sendo a que tem de mais caro, seja o que tem de menos seguro.

Reconhecido o prestígio da arte, todos o procuram utilizar, ou inutilizar se o não utilizam. E são os chefes de todas as facções que perseguem como corruptos e corruptores os artistas que os não sirvam; são os representantes de todas as castas, classes ou sociedades, que declaram agitadores imorais os artistas que se lhes não submetam; são os fariseus de todas as religiões, os fanáticos de toda a letra da lei, os generais de toda a invalidez, os vendilhões de todos os templos, que apontam a cruz, a cicuta, a fogueira, o grilhão, a mordaça, aos artistas cujo sonho se evolou livre”

Junho de 1935 José Régio

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"A Dança é uma Aristocracia. Uma arte exlusiva que só pode ser abordada pelos que a ela querem consagrado todo o seu tempo e toda a sua energia.

É igualmente uma Democracia na medida em que se oferece a todos que saibam merecê-la."

George Balanchine

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"Ninguém nasce bailarino; mas é essencial querer consegui-lo. Tal vontade é a disciplina de uma carreira e todo o trabalho é a linguagem dessa disciplina."

Mikahil Baryshnikov

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Escrevo estas palavras hoje, ao constatar mais uma vez, como os verdadeiros artistas ficam tantas vezes à margem da sociedade por não venderem a sua alma. Constatei que quando comecei no ballet tive uma das duas melhores professoras de ballet de Portugal. E nessa altura a dança era tudo para mim, vivia a dançar e depois com as voltas da vida, acabei por falhar provas de admissão numa carreira profissional e acabei numa dessas escolas que vivem para o espéctáculo de final de ano, que em vez de verdadeiros pianistas têm gravadores, que em vez de aulas têm ensaios sem antes terem aprendido a técnica, que deformam os corpos, e que invariavelmente levam ao desencantamento pela dança, ou pelo menos a fazer-nos crer que nunca atingiremos o nível de conseguir reproduzir a beleza com o movimento do corpo.

Constatei também que quando o mundo me desiludiu, foi para a dança que me voltei novamente, que consciente da minha ignorância confiei na minha intuição e acabei escolhendo a escola da melhor professora de Portugal. E após 9 anos com uma professora a sério constato que consegui o que desejava e muito mais: coordenação, equilibrio, força e liberdade...."dança como se ninguém estivesse a ver", sim, essa mesma, a mesma que perdi, em criança, a primeira vez que se riram de mim por me ver dançar fora do palco.

Termino com uma frase que a minha professora disse ou citou (falha-me a memória): A dança é um minuto de palco e 10 anos de trabalho.

1 Comments:

At 10:03 AM, Anonymous Anonymous said...

E viva a integridade dos nossos artistas.
Sz

 

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