Tuesday, June 08, 2010

Reflexões III

" - Bom, e agora chegámos ao tema do não-dualismo. Não te esqueças de que, quer estejamos a falar de uma atitude de aprendizagem quer de uma visão espiritual, estamos sempre a referir-nos a um estado da mente - uma atitude interior e não uma coisa que é vista com os olhos do corpo do mundo. Vamos começar com uma ideia simples. Lembras-te daquele enigma, se uma árvore cai no meio da floresta e não está lá ninguém para a ouvir, ela continua a fazer barulho?


- Claro que sim. Não há forma de o comprovar, por isso as pessoas acabam sempre a discutir por causa disso.
- Qual achas que é a resposta? Prometo não discutir contigo.
- Diria que a árvore faz barulho, quer esteja lá alguém para a ouvir ou não.

- E estarias tremendamente errado, mesmo ao nível da forma. Aquilo que a árvore faz é emitir ondas de som. As ondas de som, tal como as ondas de rádio – e já agora, as ondas de energia – exigem um receptor para as apanhar. Há muitas ondas de rádio a passar por esta sala neste preciso momento, mas não há som porque não há nenhum receptor sintonizado para elas. O ouvido humano ou animal é um receptor. Se uma árvore cai no meio de uma floresta e não está lá ninguém para a ouvir, ela não faz nenhum som. O som não é som até tu o ouvires, tal como uma onda de energia não parece ser matéria até tu a veres ou tocares.

Para encurtar uma história longa, deve ser evidente a partir disto que são precisos dois para dançar o tango. Para qualquer coisa interagir, tens de ter dualidade. De facto, sem dualidade, não há nada com que interagir. Não pode haver nada num espelho sem uma imagem que parece estar em frente, ligada a um observador que a veja. Sem a dualidade, não há árvore na floresta. Como alguns dos teus cientistas da física quântica sabem, a dualidade é um mito. E se a dualidade é um mito, então não só não há árvore como também não há universo. Sem ti para te aperceberes dele, o universo não está lá, mas a lógica mandaria que, se o universo não existe, tu também não. Para criar uma ilusão de existência, tens de agarrar na unidade e dividi-la aparentemente, o que foi precisamente o que fizeste. É tudo um truque."

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