Friday, October 08, 2010

Comunicação final da palestra «A Energia Matriz e a Missão de Portugal»

"Lisboa, 19 de Setembro de 2010

Esmeralda Rios e Vitorino de Sousa
www.velatropa.com/uc

Último parágrafo do último texto desta palestra, canalizado previamente para o evento:
« (…) O ego quer fazer‐vos participantes activos do acontecimento (nascimento das novas crianças com um DNA diferente)? Todos serão participantes, descansem, porque a vibração da Deusa a todos tocará, proporcionando as condições para que o Amor e o Fogo sagrado nasçam na Terra, através de muitas e muitas crianças. Cada um delas virá com a sua missão; cada uma delas fará a sua revelação! Por isso, meus caros humanos, tratem de crescer e de amadurecer espiritualmente. Deixem de lado as ilusões, os desejos pessoais, a necessidade de promoverem a
autoconfiança através do que acontece aos outros, assim como todas as palermices que o atraso consciencial proporciona, e participem nesta grande aventura da humanidade por via do coração. Algo que, evidentemente, implica ficar quieto, em silêncio e serenidade, disponível para o que der e vier.»

Disponibilidade não é passividade

A transcrição do que foi transmitido oralmente recebeu algumas alterações, com o intuito de facilitar a leitura, assim como o seu entendimento e assimilação.

Vitorino de Sousa:
No final da comunicação que acabaram de ouvir foi pedido que, ao longo dos dias do vosso quotidiano, ficassem quietos, expectantes e disponíveis, numa postura de entrega. Isto está correcto, mas esta frase pode ser considerada como equivalente a uma postura de passividade e de distanciamento. Ou seja, qual é a diferença entre uma pessoa quieta e disponível e uma pessoa passiva e distanciada dos objectivos que pretende atingir, os quais são, em última análise, a requalificação da humanidade como um todo, a mudança dos paradigmas que presidem ao seu funcionamento em todas as sociedades, e a sacralização deste planeta? É uma pergunta lícita que algumas pessoas, que fazem questão de ser “militantes” do trabalho espiritual, poderão fazer, julgando que cairão na passividade e no distanciamento se se limitarem a ter, como foi sugerido, uma postura de quietude, de silêncio e de disponibilidade num quadro global de entrega.

Mas esta é uma falsa questão, porque alguém que albergue, no seu coração espiritual, algo diferente do que o comum dos mortais alberga, não pode estar passivo, nem distanciado.
A presença da Matriz do Feminino (Deusa, Mãe, Virgem, etc.), no coração de um ser humano, mobiliza‐o e faz vibrar todo o seu ser, embora não tenha de se manifestar, necessariamente, através de acções concretas. Mais uma vez, o estado interior não tem de ter uma correspondência com a manifestação externa do ser. Até porque há muitos que muito fazem e pouco criam. Fazem e cansam‐se, mas, do ponto de vista mais importante, continuam passivos e afastados, desinteressados. Outros, pelo contrário, pouco fazem, pouco manifestam e, no entanto, são dos seres mais mobilizados que alguém possa imaginar. Portanto, quando se sugere para permanecerem na quietude, na passividade e na disponibilidade num cenário de entrega,
pressupõe‐se que, antes, se preparem para estacionar num patamar de consciência que vos permita essa postura de uma forma natural, espontânea e automática, sem necessidade de se pavonearem ou de içarem a bandeira do orgulho e da vaidade por serem grandes «espiritualistas». Assim, mais uma vez, a questão não é saber quem está já numa postura de quietude e de disponibilidade, mas sim saber quem está já nas condições de assumir essa postura, porque não se trata somente de uma questão de decisão, e já está! Se assim fosse, a quietude certamente já reinaria sobre este planeta. O que reina, no entanto, é a algazarra e o
desvario ‐ uma situação que muito informa sobre postura da esmagadora maioria dos seres humanos, mesmo a daqueles que dizem ter aspirações à «ascensão». Sim, também esses caem, muito facilmente, na algazarra e no desvario. Basta que se reúnam as condições necessárias. Nessas alturas, todos os conceitos lidos em livros «espirituais» e de auto‐ajuda, assim como todas as noções registadas em seminários e cursos da especialidade, vão por água abaixo, como ilustres desconhecidos. O que se vê, então, é o primitivismo que sustenta uma lamentável falta de consciência.

Reparem que, quando falo de silêncio, não falo de ausência de som ou de ruído, pois esse é apenas um tipo de silêncio. Podemos conversar durante horas, verbalmente, em silêncio. Ou seja, sem que a vibração de alguma palavra fira ou corrompa o manto vibracional estável que deve rodear cada ambiente e cada ser humano. Em muitos ambientes medievais, o silêncio físico reinava a par com a morte, com a corrupção e com a perversão generalizada. Não estamos a falar do silêncio que se pode esconder atrás de um traje monástico ou no «traje» de outros meios sociais. Que um sacerdote (ou um político) de uma qualquer religião (ou partido) proclame a morte seja de quem for, mesmo que seja sussurrando, é algo que fere profundamente o silêncio que deveria imperar. Essa ideia de morte, mesmo sem sair do pensamento, já é uma gritaria!
Tudo isto para vos dizer o quê? Para vos dizer que, mais uma vez, têm de regressar ao vosso ser interno.
Façam‐no da forma que acharem mais conveniente, porque já contactaram com várias, e não nos compete a Nós dizer qual delas devem preferir. Se são frequentadores de seminários e conferências deste género e leitores de livros da especialidade, estão mais do que habilitados, no nível teórico, para saberem como devem criar as condições para permanecerem em silêncio, em quietude, disponíveis num cenário de entrega. Isto não tem nada que ver com os «quadros» que se pintaram como essenciais na vida espiritual; tem a ver, sim, com uma necessidade premente, que brota do planeta e da sua humanidade. É um profundo grito de alerta, uma chamada ao fogo sagrado do coração humano, para que ele queime amorosamente tudo o que vos possa impedir ‐ e que é muito ‐, de alcançar este objectivo fundamental. Mas ele será difícil de alcançar enquanto existirem laços de identificação estreita com os parâmetros pervertidos da sociedade.

Ninguém está aqui a apelar para se retirarem para as grutas da montanha ou para se isolarem dentro de casa. Não se trata disso. Trata‐se de continuarem a cumprir as obrigações profissionais, familiares, sociais, etc., mas numa postura de envolvimento distanciado, evitando entrar no «filme», sem pôr em causa a eficácia do comportamento. Sabemos que não é fácil estar nas coisas sem ser das coisas, mas é isso que se pretende. Querer deixar de estar nas coisas do mundo, como muitos querem, fugindo delas, mas continuando a ser das coisas mundo, é pura perda de energia. É uma fuga acobardada que não leva a lado nenhum, a não ser à ampliação do fosso entre o que é e o que o deveria ser.
Algumas pessoas, na esperança desesperada de praticarem esse distanciamento das coisas do mundo, optam por substituí‐las por «comunidades» e outros estratagemas do género. Essa estratégia, porém, é muito arriscada. Na verdade, se o distanciamento das coisas do mundo não ocorrer primeiro interiormente, dificilmente alcançarão resultados positivos. Durante um tempo, até poderá parecer que resulta. Mas como a ligação interna continua presente, acabarão por reconhecer que, afinal, continuam tão ligadas às coisas como antes, apesar de se terem afastado fisicamente. Alguns, para se verem livres de uma situação complicada ao nível de relação amorosa ou de negócios, chegam a desejar que o outro pólo do problema desencarne. Depois, dizem que são assombrados, durante a noite, pelo espírito do morto!

Como ouviram, foi sugerido que ficassem quietos e disponíveis, num cenário de entrega. Mas, seja qual for a sugestão que vos dêem, comecem por acolhê‐la no vosso coração. Assim contribuirão para que muito do que dizem passe a ser supérfluo, que muitas das ocupações passem a ser absurdas, até chegarem à conclusão de que, afinal, não há outra solução senão a entrega ao Espírito, se assim lhe quiserem chamar. Quer isto dizer, tal como já foi dito há muito tempo, que terão de «morrer» para «renascer», sem passarem pela tumba, evidentemente! O que está em jogo é, simplesmente, uma mudança do ponto de observação interno.
Quantas vezes já ouviram isto? Vocês saberão. Até que ponto investiram no sentido de manifestar isto? Vocês saberão. A Nós não nos compete fazer estatísticas; compete‐nos chamar a vossa atenção, tantas vezes quantas forem necessárias, até podermos verificar, nas nossas monitorizações, que, de facto, as coisas estão a mudar. Este é, portanto, mais um apelo.
Muito Obrigado."

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