Monday, March 07, 2011

Lenda da Flor de Lótus

"Certo dia, à margem de um tranquilo lago solitário, a cuja margem se erguiam frondosas árvores com perfumadas flores de mil cores, e coalhadas de ninhos onde aves canoras chilreavam, encontraram-se quatro elementos Irmãos: o Fogo, o Ar, a Água e a Terra.
- Quanto tempo sem nos vermos em nossa nudez primitiva - disse o fogo cheio de entusiasmo, como é de sua natureza.
É verdade - disse o ar. - É um destino bem curioso o nosso. À custa de tanto nos prestarmos para construir formas e mais formas, tornamo-nos escravos de nossa obra e perdemos a nossa Liberdade.
- Não te queixes - disse a água -, pois estamos obedecendo à Lei, e é um Divino Prazer servir à Criação. Por outro lado, não perdemos nossa Liberdade; tu corres de um lado para outro, à tua vontade; o Irmão fogo, entra e sai por toda parte servindo a vida e a morte. Eu faço o mesmo.
- Em todo o caso, sou eu quem deveria me queixar - disse a terra - pois estou sempre imóvel, e mesmo sem minha vontade, dou voltas e mais voltas, sem descansar no mesmo espaço.
- Não entristeçais minha felicidade ao ver-nos - tornou a dizer o fogo - com discussões supérfluas. É melhor festejarmos estes momentos em que nos encontrarmos fora da forma. Regozijemo-nos à sombra destas árvores e à margem deste lago formado pela nossa União.
Todos o aplaudiram e se entregaram ao mais feliz companheirismo. Cada um contou o que havia feito durante sua longa ausência, as maravilhas que tinham construído e destruído. Cada um se orgulhou de se haver prestado para que a Vida se manifestasse através de formas sempre mais Belas e mais Perfeitas. E mais se regozijaram, pensando na multidão de vezes que se uniram fragmentariamente para o seu trabalho. Em meio de tão grande alegria, existia uma nuvem: o Homem. Ah! como Ele era ingrato. Haviam-no construído com seus mais Perfeitos e Puros Materiais, e o Homem abusava deles, perdendo-os. Tiveram desejo de retirar sua cooperação e privá-lo de realizar suas experiências no plano físico.
Porém a nuvem dissipou-se e a alegria voltou a reinar entre os quatro Irmãos.
Aproximando-se o momento de se separarem, pensaram em deixar uma recordação que perpetuasse através das idades a Felicidade de seu encontro.
Resolveram criar alguma coisa especial que, composta de fragmentos de cada um deles Harmonicamente combinados, fosse também a expressão de suas diferenças e independência, e servisse de símbolo e exemplo para o Homem.
Houve muitos projectos que foram abandonados por serem incompletos e insuficientes.Por fim, reflectindo-se no lago, os quatro disseram: - E se construíssemos uma planta cujas raízes estivessem no fundo do lago, a haste na água e as folhas e flores fora dela?
- A ideia pareceu digna de experiência.
- Eu porei as melhores forças de minhas entranhas - disse a terra - e alimentarei suas raízes.
- Eu porei as melhores linfas de meus seios - disse a água - e farei crescer sua haste.
- Eu porei minhas melhores brisas - disse o ar - e tonificarei a planta.
- Eu porei todo o meu calor - disse o fogo - para dar às suas corolas as mais formosas cores.
Dito e feito. Os quatro Irmãos começaram a sua Obra. Fibra sobre fibra foram construídas as raízes, a haste, as folhas e as flores. O Sol abençoou-a e a planta deu entrada na flora regional, saudada como Rainha.
Quando os quatro elementos se separaram, a Flor de Lótus brilhava no lago em sua Beleza Imaculada, e servia para o Homem como símbolo da Pureza e Perfeição Humana."

0 Comments:

Post a Comment

<< Home