Monday, January 30, 2012

High & Dry

Sunday, January 29, 2012

Lisbon revisited

"Nada me prende a nada.
Quero cinquenta coisas ao mesmo tempo.
Anseio com uma angústia de fome de carne
O que não sei que seja -
Definidamente pelo indefinido...
Durmo irrequieto, e vivo num sonhar irrequieto
De quem dorme irrequieto, metade a sonhar.

Fecharam-me todas as portas abstractas e necessárias.
Correram cortinas de todas as hipóteses que eu poderia ver da rua.
Não há na travessa achada o número da porta que me deram.

Acordei para a mesma vida para que tinha adormecido.
Até os meus exércitos sonhados sofreram derrota.
Até os meus sonhos se sentiram falsos ao serem sonhados.
Até a vida só desejada me farta - até essa vida...

Compreendo a intervalos desconexos;
Escrevo por lapsos de cansaço;
E um tédio que é até do tédio arroja-me à praia.
Não sei que destino ou futuro compete à minha angústia sem leme;
Não sei que ilhas do sul impossível aguardam-me naufrago;
ou que palmares de literatura me darão ao menos um verso.

Não, não sei isto, nem outra coisa, nem coisa nenhuma...
E, no fundo do meu espírito, onde sonho o que sonhei,
Nos campos últimos da alma, onde memoro sem causa
(E o passado é uma névoa natural de lágrimas falsas),
Nas estradas e atalhos das florestas longínquas
Onde supus o meu ser,
Fogem desmantelados, últimos restos
Da ilusão final,
Os meus exércitos sonhados, derrotados sem ter sido,
As minhas cortes por existir, esfaceladas em Deus.

Outra vez te revejo,
Cidade da minha infãncia pavorosamente perdida...
Cidade triste e alegre, outra vez sonho aqui...

Eu? Mas sou eu o mesmo que aqui vivi, e aqui voltei,
E aqui tornei a voltar, e a voltar.
E aqui de novo tornei a voltar?
Ou somos todos os Eu que estive aqui ou estiveram,
Uma série de contas-entes ligados por um fio-memória,
Uma série de sonhos de mim de alguém de fora de mim?

Outra vez te revejo,
Com o coração mais longínquo, a alma menos minha.

Outra vez te revejo - Lisboa e Tejo e tudo -,
Transeunte inútil de ti e de mim,
Estrangeiro aqui como em toda a parte,
Casual na vida como na alma,
Fantasma a errar em salas de recordações,
Ao ruído dos ratos e das tábuas que rangem
No castelo maldito de ter que viver...

Outra vez te revejo,
Sombra que passa através das sombras, e brilha
Um momento a uma luz fúnebre desconhecida,
E entra na noite como um rastro de barco se perde
Na água que deixa de se ouvir...

Outra vez te revejo,
Mas, ai, a mim não me revejo!
Partiu-se o espelho mágico em que me revia idêntico,
E em cada fragmento fatídico vejo só um bocado de mim -
Um bocado de ti e de mim!..."

Álvaro de Campos

LANA DEL REY-VIDEO GAMES



Esta menina anda a precisar de vir a Portugal :-)

:-)

Saturday, January 28, 2012

Errar é humano

"O homem e seu agir são duas coisas diferentes. Enquanto a boa acção deveria contar com aprovação, e a acção má com desaprovação, o autor da acção, seja ele bom ou mau, sempre merece atenção ou compaixão, dependendo do caso. "Odeia o pecado e não o pecador", é um mandamento que, apesar de fácil de entender, só raras vezes é posto em prática. Por isso o veneno do ódio se espalha pelo mundo inteiro" - Mahatma Gandhi

Friday, January 27, 2012

oo

"It is a man's own mind, not his enemy or foe, that lures him to evil ways"

Thursday, January 26, 2012

...

"Nada fica de nada. Nada somos.
Um pouco ao sol e ao ar nos atrasamos
Da irrespirável treva que nos pese
Da humilde terra imposta,
Cadáveres adiados que procriam.
Leis feitas, státuas altas, odes findas —
Tudo tem cova sua. Se nós, carnes
A que um íntimo sol dá sangue, temos
Poente, porque não elas?
Somos contos contando contos, nada."

RR

Saturday, January 21, 2012

Morcheeba//Rome wasn't built in a day

A Verdadeira Bondade do Homem

"A verdadeira bondade do homem só pode manifestar-se em toda a sua pureza e em toda a sua liberdade com aqueles que não representam força nenhuma. O verdadeiro teste moral da humanidade (o teste mais radical, aquele que por se situar a um nível tão profundo nos escapa ao olhar) são as suas relações com quem se encontra à sua mercê: isto é, com os animais. E foi aí que se deu o maior fracasso do homem, o desaire fundamental que está na origem de todos os outros."

Milan Kundera, in "A Insustentável Leveza do Ser"

Friday, January 20, 2012

in Ode Marítima

"Chamam por mim as águas,
Chamam por mim os mares.
Chamam por mim, levantando uma voz corpórea, os longes,
As épocas marítimas todas sentidas no passado, a chamar."

Wednesday, January 18, 2012

Radiohead - Fake Plastic Trees

Tuesday, January 17, 2012

JESUS CHRIST SUPERSTAR - I Don't Know How To Love Him

Friday, January 06, 2012

...

"Amamos unicamente para amar, sem outra razão do nosso amor que o nosso próprio amor"

São Clemente de Alexandria

!

"There are only two mistakes one can make along the road to truth; not going all the way, and not starting"

Thursday, January 05, 2012

Fogo e Água

"De tempos em tempos, reza o mito, a águia, como a fênix egípcia, se renova totalmente. Ela voa cada vez mais alto até chegar próxima ao sol. Então as penas se incendeiam e ela toda começa a arder. Quando chega a este ponto, se precipita do céu e se lança qual flecha nas águas frias do lago. Através desta experiência de fogo e de água, a velha águia rejuvenesce totalmente. Volta a ter penas novas, garras afiadas, olhos penetrantes e o vigor da juventude. Seguramente este mito subjaz ao salmo 103 onde se diz:”O Senhor faz com que minha juventude se renove como uma águia”.Fogo e água são opostos. Mas quando unidos, se fazem poderosos símbolos de transformação. Segundo a psicologia do profundo de C. G. Jung, o fogo simboliza o céu, a consciência e as dimensões masculinas no homem e na mulher. A água, ao contrário, a terra, o inconsciente e as dimensões femininas no homem e na mulher. Passar pelo fogo e pela água significa, portanto, integrar em si os opostos e crescer na identidade pessoal. Ninguém ao passar pelo fogo ou pela água permanece intocado. Ou sucumbe ou se transfigura, porque a água lava e o fogo purifica."

ler aqui

Wednesday, January 04, 2012

9. Climbing up the Walls

...

"Não vos amarreis exclusivamente a nenhum credo em particular, ao ponto de não acreditardes em todos os outros, pois perdereis muito do bem e não conseguireis reconhecer a verdadeira natureza das coisas. Deus, o omnipresente e o omnipotente, não é limitado por nenhum credo, porque diz: «Para onde quer que vos voltais, vereis a face de Alá». Todos louvam aquilo em que acreditam; o seu deus é o seu próprio ser e, ao louvá-lo, louvam-se a si próprios. Consequentemente censuram os credos dos outros, o que não fariam se fossem justos, mas a sua aversão resulta da ignorância"

Ibn al-Arabi